( Melina Soares
Bicalho)
Voltando para casa pelas
estradas da Canastra e admirando os grandes paredões rochosos, num fim de tarde
de domingo, no início do inverno seco de Minas Gerais com o sol raiando no céu
azul e o vento forte e frio, não pudemos deixar de notar dois gaviões que
estavam parados no ar. Eles estavam contra o vento e planavam, isso os mantinha
no mesmo lugar. Às vezes eles iam pra frente de acordo com a velocidade do
vento. De repente vimos um deles planando de ré, pois o vento, então, era tão
forte que o fazia retroceder, e ele não tentava bater asas e voar contra a
corrente de vento, simplesmente deixava-se levar e continuava em equilíbrio no
ar planando sem se mover.
Não resistimos à visão e
descemos do carro para ver a cena. Meus amigos admirados faziam fotos e vídeos
e se divertiam com a cena. E eu comecei a refletir sobre o quão fantástica é a
natureza e quanta sabedoria aquele momento me trazia. Os pássaros não relutavam
contra o vento, respeitavam seu curso natural, se jogavam e planavam. Muitas
vezes na vida deixamos nossos desejos, quase sempre egoístas, guiar nossas
ações e consequentemente quantas atitudes bobas e incoerentes tomamos. Se
aprendêssemos a respeitar o curso natural da vida e se não deixássemos nossos
medos fazer-nos desistir ou se não seguíssemos os impulsos guiados pelo medo,
carência e insegurança, talvez assim seríamos mais coerentes em nossas
atitudes.
Respeitar o curso natural do
universo está longe de significar não fazer nada e esperar por uma providencia
divina, um milagre, ou qualquer coisa do gênero. Seria, ao contrário, como
faziam as aves que observávamos, apenas se jogar na vida sem medo e aceitar
certas circunstâncias, mas nunca deixar de manter o equilíbrio e de agir no
momento oportuno com respeito a tudo e todos que possam surgir no nosso caminho
durante nosso voo pela vida.

De cara como vc conseguiu tirar uma conclusão tão profunda e certa de algo tão banal :)
ResponderExcluirEstou estudando crônicas. :)
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