"Que trem difícil de entender é essa nossa vida." - reflete a mineira que lança seu olhar para dentro de si em um momento de mudanças. "Ô trem, pra onde é que você quer levar seus passageiros? " - questiona. A passageira desse trem assim como a maior parte de seus tripulantes complicam o que é simples. Apegados em entender de onde viemos e para onde vamos, nos esquecemos de prestar a atenção nos acontecimentos durante o percurso, são eles que fazem de nós seres viventes, portanto o mais importante não é saber do inicio nem do fim, e sim aprender a lidar com o agora.
Para entender a vida basta observar a vida ao redor, não só as pessoas e o que acontecem com elas, a observação da natureza nos ensina muito sobre o percurso natural da vida, que muitas vezes por ignorancia acabamos interferindo negativamente por não entender os ciclos de mudança que a nossa trajetória nos propõe naturalmente. As borboletas são sensacionais exatamente por serem a representação da mudança que o ciclo de suas vidas passa. Sua mudança de lagarta, casulo e borboleta pode nos ensinar muito sobre os ciclos da vida e de como devemos viver o presente. Imagina se uma larva quiser ser borboleta antes da hora. Seria comico ver uma larva tentar voar.
Ser um animal dotado de inteligencia significa que somos aptos a aprender, ao desenvolvimento, logo não é muito complicado entender a nossa razão de existir. Vivemos para desenvolver, mas não existe aprendizado sem interação, então precisamos dos outros. E assim buscamos relações com as pessoas que conhecemos. Embora seja uma necessidade humana, relacionar não é fácil, pois cada um possui suas caracteristicas, seus modos de lidar com o outro, de vivenciar uma situação e de aprender (ou não) com as interações que estabelece.
Essa necessidade latente de relacionar gera sentimento de posse em algumas pessoas. Em algum momento de carencia afetiva alguém acreditou que o outro fosse SEU. E essa maneira equivocada de pensar cria crenças e modos de relacionar prejudiciais ao desenvolvimento. É necessário respeitar a vida do outro sem tentar manipular ou "segurar" alguém. Os tripulantes do trem da vida são passageiros na vida uns dos outros. Alguns vêm e ficam ao nosso lado por mais tempo, outros são fugazes , mas todos tem sua importancia. Precisa-se entender o aprendizado que as relações nos trazem, e ser tranquilo com o fim da passagem dos outros em nossa vida.
Viver é aprender com o outro , é movimento, e interação. É fácil receber uma pessoa nova em nossas vidas, pois anseiamos pelo aprendizado que as relações nos trazem. Difícil é ser maduro para desconstruir a crença do "felizes para sempre" e aceitar quando alguém sai de nossa vida completando um ciclo de aprendizagem.